quarta-feira, 7 de agosto de 2013



terça-feira, 30 de julho de 2013

NOITES DE BIBLIOTECA DISCUTE UNIÕES DO MESMO SEXO

“Uniões do mesmo sexo” inaugurou a atividade “Noites de biblioteca”, da Biblioteca Vanessa Nahas da EBP-SC, no dia 4 de julho último. O tema, destaca Laureci Nunes, que coordenou a mesa redonda, está na roda dos debates sobre os sintomas enquanto matéria-prima afetada pelas transformações atuais onde, inclusive, conceitos psicanalíticos fundamentais são questionados, exigindo respostas à altura desse tempo de transformações.

Os advogados Cláudia Nichnig, doutoranda do CFH/UFSC, e Ricardo Waick, presidente da Comissão de Diversidade Sexual da OAB-SC, discutiram aspectos sociológicos e jurídicos em torno da questão proposta pela mesa: por que os homossexuais ainda lutam pelo casamento, sendo esta uma instituição em decadência? Oscar Reymundo abordou o tema a partir da psicanálise. As exposições, num estilo informal de transmissão, trouxeram uma riqueza de questões teóricas e processuais sobre o tema. 

Cláudia Nichnig entende que nos movimentos pela democracia sexual há um intuito de normalização que é a busca pela proteção do Estado. Por outro lado, o clássico modelo de família se coloca como padrão e, para muitos, o casamento homossexual pode vir a ameaçar as relações informais, correndo o risco de engessá-las. Ricardo Waick analisa a questão sob a ótica da militância e defesa dessas causas junto ao poder judiciário. Levando em conta a polêmica legal, ele defende que cabe ao cidadão escolher seu projeto de vida e cabe ao Estado garantir a sua realização, desde que o mesmo não cause prejuízo a ninguém. Entende que as transformações sociais exigem uma releitura face aos novos valores e que o casamento civil hoje é a melhor forma de garantir os direitos do cidadão. 

Oscar Reymundo comenta que no modelo familiar atual o gozo se situa em primeiro plano, depois o amor e que as regras do capitalismo não são favoráveis ao amor. Hoje se prescinde de uma lei sem que dela se tenha se servido satisfatoriamente; convive-se com uma lei renovada, que decorre de um pai que não é mais o pai edípico. São tempos de lutas pelo direito ao gozo, são tempos do Outro que não existe e suas comunidades de gozo. Nesses tempos, o olhar que se fixou já não está sustentado na vergonha. O imperativo que hoje tem peso é o de não ter mais vergonha de seu gozo, em contraposição aos movimentos do passado, cuja bandeira era não ter vergonha de seu desejo. Hoje, vergonha é não ter, por isso o sacrifício dos corpos, para tampar o furo do não ter. O ser falante não sabe o que é ser homem ou ser mulher, pois com a psicanálise, essa pergunta se faz no âmbito do singular, do um a um. No passado, por detrás do “orgulho gay” havia vergonha. Entende Oscar Reymundo que a legalização do casamento homossexual leva a marca da realização da rebeldia e nesse sentido, introduz uma diferença, embora se oriente na direção dos direitos à cidadania. 

O público, que lotou as dependências da sala Carolina Boris do CFH/UFSC, explicitou questões em torno da polêmica, entre as quais destaco: hoje não há lei, mas sim, uma judicialização da política; no momento em que a barreira ao gozo se flexibilizou, que a vergonha caiu, qualquer gozo pode ser legalizado e, diante disso, por certo, o consumo se expande e comemora.

Armi Maria Cardoso 



terça-feira, 18 de junho de 2013


terça-feira, 19 de março de 2013

Resposta de Marise Pinto ao artigo publicado na Folha sobre o autismo


Sr. Luis Fernando,

É muito divulgado o mau encontro com um dito psicanalista nos casos de atendimento à criança autista. Por outro lado, pode-se dizer que o Senhor não está bem informado quanto aos avanços da teoria psicanalítica neste campo. As publicações psicanalíticas de orientação lacaniana dão testemunho de que é possível uma inserção no convívio social para muitas dessas crianças que apresentam essa característica como obstáculo em seu devir sujeito.

Infelizmente, no Brasil, ainda é no campo do privado que este atendimento se restringe; benefício a que estão excluídas as crianças que dependem do Estado para atenção à Saúde.

Marise Pinto, integrante do Núcleo Pandorga de pesquisa na clínica psicanalítica com crianças da Seção da EBP/SC.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Autismo e psicanálise


A matéria intitulada “Um mundo particular”, publicada na Folha de São Paulo de 17 de março de 2013, fundamentada na experiência de quem vive “na carne”, como se diz, a questão do autismo, reflete bem a discussão atual sobre como e quem está apto a tratar essas crianças e adolescentes que, por muito tempo, ficaram confinadas em tratamentos rígidos e inúteis. A vida de uma criança autista e de seus pais não é fácil, além de lidarem com as dificuldades inerentes ao problema em si, têm que se deparar com uma gama de preconceitos e desconhecimentos dos que estão em seu entorno. Luiz Fernando Vianna, como pai, não teve a sorte de um bom encontro com um psicanalista que, antes de tudo, precisa estar atento à angústia que suscita aos pais a notícia de um diagnóstico de autismo. Tão pouco teve sorte com outro profissional de outra abordagem. 

Assinalo, entretanto que, independentemente dessa querela, a psicanálise é um corpo teórico que avançou muito, desde os estragos que os pós-freudianos fizeram nos ensinamentos de Freud. Com Jacques Lacan, ela pode ser revisitada, criticada e ampliada e isso, porque ela carrega em seu bojo, graças ao seu “pai”, uma revisão constante de sua prática e dos preconceitos que podem advir de um psicanalista. Os psicanalistas, pelo menos os lacanianos, aprendem que não só o cotidiano de sua clínica, mas também as questões do mundo contemporâneo fazem buraco no seu fazer e na teoria que o fundamenta. Essa discussão lançada pelos pais das crianças diagnosticadas de autismo tem sido muito bem recebida pela comunidade psicanalítica lacaniana, tanto no Brasil e outros países como na França, porque permite que se questione a clínica e o saber-fazer da psicanálise. Também para nós, psicanalistas, conceitos universalisantes como “mãe geladeira” e “fortaleza vazia” continuam atrapalhando muito nossa prática, porque culpabilizam antes de ouvir e dar um destino singular a cada caso particular. 

Se um documentário como “O muro” foi duramente criticado pelos psicanalistas envolvidos no mesmo, talvez seja porque se sentiram indignados sim, de verem seus nomes envolvidos numa crítica injustamente feita a uma prática que, ao contrário de muitas, porta em seu seio mesmo a possibilidade que todo ser humano tem de advir como sujeito no mundo, de ter a sua singularidade subjetiva respeitada e acolhida e de ser tratado como alguém que tem desejos e gostos próprios. O tratamento psicanalítico visa o singular do sujeito autista que, como qualquer sujeito, tem que inventar sua forma particular de fazer laços sociais, assim como fizeram Carly e Temple. Não se trata de uma adaptação comportamental ao meio em que vivem, mas de encontrarem um savoir y faire, como costumamos dizer, com o seu impedimento. Carly e Temple são exemplos de que, para além de suas capacidades cognitivas e afetivas, o sujeito é sempre responsável pelas vicissitudes de sua vida, qualquer que seja o diagnóstico que receba ou sua história de vida. A psicanálise ensina a todos os sujeitos, e os pais também são sujeitos, que ser responsável é muito diferente de ser culpado e que, na verdade, é justamente o oposto.

Eneida Medeiros Santos - Coordenadora do Pandorga - Núcleo de pesquisa e investigação clínica  da psicanálise com crianças

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Quarto Boletim Informativo da VII Jornada da EBP-SC

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